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sábado, 18 de agosto de 2012

A ética e motivação profissional em mercado de crise

São vários os fatores a considerar para entender a atitude humana no seio profissional. Entre estes fatores, encontramos a ética do trabalho. A ética no trabalho não é mais do que as atitudes do individuo face ao trabalho e respetiva satisfação perante o mesmo. Isto é, trata-se da forma como cada individuo encara o trabalho. Falar de ética do trabalho de forma consciente é aceitar que se trata de uma realidade dinâmica, visto que a mesma tem evoluído ao longo dos séculos, mas nunca deixando de ser um dos fundamentos essenciais do sistema do mercado laboral.
Por outro lado, é um fator variável, na medida em que, trata-se de um elemento bastante subjetivo, variando de pessoa para pessoa. A sua importância varia, nomeadamente, de acordo com a idade. Existem estudos que indicam, que a ética dos trabalhadores mais jovens -até aos 26 anos, assume menor importância quando comparada com a dos trabalhadores com idades compreendidas entre 40 e 65 anos de idade. A explicação pode ser dada, não só pelos fatores intrínsecos as diferentes gerações como também ao contexto social, económico e politico, que caracteriza este século. (A quantidade e qualidade do trabalho de hoje é certamente diferente do exigido no século passado).
A título de exemplo, no tempo dos nossos avós, - trabalhar 60 horas semanais seria considerado como período normal de trabalho, enquanto na geração seguinte, a dos nossos pais, 40 horas semanais seriam o normal. (Note-se que só nos anos 80 os sindicatos europeus reclamaram as 35 horas semanais).
A ética do trabalho sem dúvida que enfraqueceu, ao longo do tempo, já que a oferta de trabalho também diminuiu. (São realidades que são diretamente proporcionais).
Por sua vez, poderá dizer-se que o tipo de trabalho também contribui para o elevado grau de ética. Veja-se por exemplo que nas atividades tipicamente rurais, a ética assume maior importância do que numa atividade urbana.
Intimamente relacionado com a ética profissional temos a motivação no trabalho. Até a bem pouco tempo, a motivação tinha como dados adquiridos: quanto maior fosse a retribuição maioria seria a motivação; e, todos os fatores geradores de insatisfação seriam sempre geradores de desmotivação, logo deveriam ser eliminados da relação laboral.
Estas duas ideias foram postas em causa com a investigação de Frederick Herzeberg, quando concluiu que os fatores que levavam a satisfação do trabalhador não seriam os mesmos que levariam a insatisfação do mesmo. Isto é, os fatores determinantes da satisfação são diferentes daqueles que conduzem à insatisfação. Em termos práticos, um trabalhador no decurso de uma longa carreira, além de se preocupar com a retribuição preocupa-se também com as condições de trabalho, oportunidades de realização profissional.
A ética e a motivação do trabalhador são o pilar sustentável das organizações empresariais.
Foi neste contexto que foram desenvolvidas várias teorias explicativas da motivação do trabalhador: a teoria clássica; a teoria da necessidade; a teoria dos fatores; a teoria das expetativas e a teoria da equidade. Qualquer destas teorias são muito interessantes, mas apenas faço referência a teoria das necessidades, já que parece ser aquela que mais está influenciada pelos fatores exteriores a organização empresarial. É aquela em que os resultados são mais severamente penalizados, pelos fatores conjunturais – económicos, sociais e políticos da sociedade.
A teoria das necessidades, desenvolvida por A.H. Maslow (1954) assenta no facto de qualquer ser humano possuir uma hierarquia de necessidades. As necessidades elementares devem ser satisfeitas, desde logo, antes das necessidades seguintes. Isto é, a satisfação das necessidades mais básicas é o motor elementar da motivação do comportamento do trabalhador. Assim, uma necessidade satisfeita deixa de motivar e já não pode, influenciar o comportamento e assim sucessivamente.
Este processo de sucessão contínua de supressão de motivações, funcional plenamente numa sociedade onde o rendimento médio per capita seja elevado, onde a segurança no emprego seja sentida e efetivada num grau bastante elevado. Neste contexto social e económico, a influência da retribuição enquanto elemento motivador perde terreno, dando lugar a necessidades de estima, e de auto-realização.
Assim, a motivação deve assentar na satisfação de necessidades mais elevadas da pirâmide de Maslow.
Como se pode verificar esta teoria é sempre posta em causa, quando a sociedade é caracterizada por elevada taxa de desemprego e não compensadas por ajudas financeiras.
Numa sociedade em crise, a motivação do trabalhador orientada para o desenvolvimento do individuo, não é eficaz, fazendo perigar os níveis éticos exigíveis para as relações laborais de sucesso.
     A hierarquia das necesidades segundo Maslow

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